É na jornada que você encontra Deus
Deus gosta de movimento. Um carro parado pode ter o volante virado o quanto você quiser, e ele não vai sair do lugar. Mas, se o carro estiver andando, não importa a velocidade, basta virar o volante e ele muda de direção.
Quando Jesus chamava os discípulos, Ele dizia: "Vem e segue-me". Isso é um convite a um movimento, a uma jornada. É no caminho que Ele nos trabalha. O texto base é Gênesis 32:22-31, quando Jacó luta com um homem no vau do Jaboque e sai dali com um novo nome.
1. Deus trabalha no movimento
Temos uma tendência natural de achar que Deus vai agir enquanto ficamos parados, como Elias dentro da caverna. Na história da igreja, houve quem fosse para o deserto para ficar isolado, sem fazer quase nada.
Às vezes alguém diz: "Vou ficar quietinho no cantinho, porque já sofri e me machuquei". Mas um corpo parado tende a permanecer parado.
- Descansar não é ficar parado. Tirar férias é descansar no tempo certo.
- Você pode reduzir a velocidade. Mas parar nunca é a solução.
- Você não vai ser curado fora do movimento. O paralítico de Betesda esperava o mover das águas (Jo 5:7).
2. A jornada é um mistério
Queremos que Deus nos dê o mapa dos próximos 20 km, mas geralmente Ele mostra os próximos 20 metros. Mistério é uma verdade oculta que ainda não foi revelada. E Deus tem motivos para isso:
- Se Ele mostrasse tudo, deixaríamos de depender dEle e tentaríamos adiantar etapas.
- Provavelmente não aceitaríamos o que seremos daqui a cinco anos.
Há alguns anos eu era um crente radical da Assembleia de Deus. Não andava de bermuda fora de casa e nem gostava de entrar em outra igreja. Se Deus me dissesse naquela época que eu seria pastor em outra igreja, eu não aceitaria e acharia que estava perdendo meu tempo. Deus quer o que você está vivendo agora, porque é assim que Ele está transformando a sua vida.
3. A jornada de Jacó
Jacó enganou o pai para receber a bênção da primogenitura, que Esaú já tinha desprezado e vendido por um prato de comida. Fugiu do irmão e foi para Padã-Arã, na casa de Labão. Ali, o enganador foi enganado: trabalhou sete anos por Raquel, recebeu Lia e precisou trabalhar mais sete. Depois de catorze anos, ainda estava de mãos vazias.
Agora, voltando para a terra prometida, ele atravessa a família e os bens para o outro lado do Jaboque e fica sozinho. Um homem luta com ele até o amanhecer. Pelo contexto, era o próprio Deus: o texto diz que Jacó lutou com Deus.
Dessa luta, tiro quatro coisas que Deus faz na nossa vida durante a jornada.
4. A experiência: a luta no lugar secreto
Jacó não buscou solidão, buscou solitude. Quem busca solidão se isola, até de Deus. Quem busca solitude procura a quietude para encontrar Deus. Jesus nos ensinou a orar no quarto, em secreto (Mt 6:6), e mesmo no Getsêmani levou três discípulos para perto.
É no lugar secreto que as lutas da vida são travadas. Essas experiências são desafiadoras: como a prensa que espreme a azeitona, elas extraem de nós aquilo que Deus quer extrair.
5. A marca
O homem tocou o quadril de Jacó e o deixou mancando. Toda experiência com Deus deixa uma marca. Paulo disse que trazia no corpo as marcas de Jesus (Gl 6:17).
- As marcas de Deus estão ligadas às nossas fraquezas, angústias e impossibilidades.
- Nas angústias, Deus não nos deixou à deriva. Ele estava participando ativamente.
- O poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12:9).
Jacó andava a 500 por hora, e a marca alinhou os passos dele. Mas há muito mais gente precisando ser empurrada do que parada, e é mais fácil corrigir quem está fazendo.
Não ponha a culpa na nuvem que não se moveu. Há uma Bíblia inteira de mandamentos. Você não aprende a ser pai antes de ter um filho, e não se santifica sozinho para depois chegar a Deus: é Ele quem santifica você, na jornada.
6. O confronto
Os dois episódios marcantes da vida de Jacó dizem respeito à bênção. Diante do pai, ele mentiu: "Sou Esaú". Agora, diante do homem, precisa responder: "Qual é o seu nome?".
Jacó significa suplantador, aquele que agarra o calcanhar para levar vantagem. Ele cresceu ouvindo isso e carregava o estigma de que precisava enganar para as coisas darem certo, até as que Deus já tinha prometido a ele antes de nascer (Gn 25:23).
Eu também carreguei um estigma desde a adolescência: o de começar as coisas e não terminar. Isso virou parte da minha identidade, até Jesus começar a quebrar essa mentira na minha mente.
Deus sabia o nome de Jacó, mas queria uma confissão. Você precisa abrir o coração no secreto, falar da inveja, do orgulho, do que realmente está lá dentro, e se render. Sem rendição, não há correção.
7. A transformação
O homem disse que o nome dele não seria mais Jacó, e sim Israel (Gn 32:28). Por vinte anos ele carregou uma bênção com cara de fraude, como quem se sente culpado pelo que tem. Agora começa uma nova temporada: não mais a do enganador, mas a do lutador.
- Deus não apaga o passado, mas o ressignifica para revelar o futuro.
- Jacó nasceu do ventre de Rebeca; Israel nasceu do encontro com Deus.
- Há uma pedrinha branca com um novo nome guardada para nós (Ap 2:17). Deus já conhece a nossa identidade e quer revelá-la na jornada.
Não estamos correndo para sermos salvos ou nos tornarmos filhos. Já somos. A jornada é para conhecê-Lo mais e nos aprofundarmos no rio, até que as águas não deem mais pé.
Conclusão
É na jornada que você encontra Deus e, encontrando Deus, você se encontra. Ele traz experiências, deixa marcas, confronta estigmas e transforma o seu nome. Mas, para o novo acontecer, você precisa sair do lugar e deixar o velho para trás.
Você está em movimento com Deus ou parado esperando um mapa completo? Que estigma você precisa confessar a Ele hoje para receber um novo nome?